Deputados disseram em audiência Pública que municípios podem assumir gestão do abastecimento

O presidente da Agespisa, Genival Sales, participou de audiência pública nesta quarta-feira (04/08) na Assembleia Legislativa do Piauí, para ouvir dos deputados reivindicações em relação ao abastecimento nas cidades do interior do estado.

O debate foi proposto pelo deputado estadual Gustavo Neiva (PSB), que questionou a Agespisa sobre a possibilidade de a empresa facilitar o processo de municipalização da gestão do abastecimento de água, para aquelas prefeituras que têm manifestado interesse.

"A maioria dos municípios que fazem gestão própria querem entregar de volta para a Agespisa. Aí fica a interrogação no ar. Será se teriam condições de gerir esse sistema, com investimento? Sabemos que os municípios que fazem a gestão na zona Rural tem a mesma dificuldade. Se não tem condição de fazer gestão na zona Rural, imagine em uma cidade com cinco ou dez mil residências. É muito complexo", argumenta Genival.

"NÃO CONSEGUI DECIFRAR O ENIGMA"

Para Gustavo Neiva, a intenção dos municípios em assumirem a gestão do abastecimento deve ser considerada. Na audiência, ele questionou as razões da resistência do governo em relação à questão. "Os prefeitos não têm mais condições de receber essas cobranças da população. Querem assumir o problema e o governo não quer [deixar]. Qual é a intenção em não repassar aos municípios esses sistemas, se os prefeitos estão querendo? Ainda não consegui decifrar o enigma", questionou.



Neiva defendeu que a concessão é do município, que tem direito de romper com a Agespisa, já que a empresa "não está dando contra do recado".

Também presente no debate, a deputada Teresa Britto lamentou que, em meio ao embate, quem sofre é a população. Ela defende que a Agespisa precisa ser fortalecida. "O problema existe, e a população está sofrendo. Tem município que tem capacidade e outros não têm. E o ideal é que a empresa fosse fortalecida e tivesse de fato condições de suprir as necessidades de fornecimento de água", diz.

AGESPISA PERDEU O "FILÉ"

O deputado João Mádison, que conduziu a audiência, também questionou a queda de braço entre a Agespisa e os municípios. "Concordo que tudo bem que alguns não tenham condição, mas União, Corrente, Água Branca, esses municípios acho que têm condições necessárias para assumir não só a parte difícil do abastecimento, mas de ter uma arrecadação para se sustentar. Se continuar desta maneira fica inviável. Vejo que o governo também tem que ceder. Como a Agespisa perdeu a coisa mais importante, o filé, que é a cidade de Teresina, automaticamente perdeu faturamento. E são as grandes cidades que estão segurando".




Atualmente a Agespisa cuida da gestão de 166 sistemas. Segundo o presidente da empresa (foto abaixo), apenas dez deles apresentam maior problemática.

"O índice era maior, mas em muitos já resolvemos a situação. A maior problemática é a falta de energia com qualidade nos pontos em que nossos equipamentos funcionam", explica. Outro problema está na falta de água nos rios, açudes e lagoas, em especial do sul do estado. Para cidades como Cristalândia, a solução seria a construção de adutoras, como feito no norte do Piauí, entre Parnaíba e Baixa da Caraúbas.




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